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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Turquia contra três aliados: Chipre, Grécia e Israel


A Guerra do Oriente em um novo capítulo, dessa vez envolvendo países da Europa e OTAN. 

Contra três direções - que têm direta e essencial ligação entre si - mostrou seus dentes nas últimas horas o governo de Ancara. Primeiramente, foram as declarações do ministro turco para temas da União Européia (UE), Egemen Bagis, que, referindo-se ao fosso que está sendo aberto pela Grécia no Evro, em sua fronteira leste com a Turquia, declarou-se esperançoso de que "a Grécia não deseja provocar uma crise de política externa para desviar a atenção de seus problemas econômicos" e manifestou sua dúvida sobre "como a Grécia executa uma obra de tais dimensões, no momento em que enfrenta crise econômica". 

Em continuação, Bagis desfechou novas ameaças insinuando imediata ação militar contra a República de Chipre, caso o governo de Nicósia inicie as pesquisas submarinas (destinadas a localização de reservas de petróleo e gás natural em suas águas territoriais). 

Finalmente, por ordem do ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, foi expulso o embaixador de Israel acreditado junto ao governo de Ancara, e foram rebaixadas suas relações diplomáticas com Israel para nível de segundo secretário, alegando como motivo que "Israel continua não pedindo desculpas à Turquia por causa do episódio ocorrido ano passado, com a flotilha de ajuda humanitária turca que rumava para Gaza, quebrando o bloqueio israelense". 

Ao mesmo tempo, foi anunciada a interrupção de cooperação militar entre os dois países, enquanto o chanceler Davutoglu declarou que se reservava a tomar novas medidas contra Israel. 

Destaca-se a excepcionalmente interessante "coincidência temporal" da expulsão do embaixador de Israel e, particularmente, da interrupção de cooperação militar entre os dois países, decorrido tanto tempo. Aqui, não se trata da conhecida piada "casual? Não acho?". Seguramente, aqui não existe absolutamente nada casual. Quais são os fatos? 

Grécia e Israel 
Por um lado, o mais importante neste momento é a viagem do ministro da Defesa da Grécia, Pános Beglite, a fim de formalizar acordo ampliando e aprofundando a cooperação militar entre Grécia e Israel. E, por outro, as pesquisas submarinas da República de Chipre, as quais, ao que tudo indica, serão iniciadas em 1º do mês que vem, e para a execução das quais Grécia e Israel cooperam estreitamente, junto com os EUA. 

Segundo informação do Governo da República de Chipre, a embarcação que realizará as pesquisas zarpará hasteando não só a bandeira da República de Chipre, mas, também, as bandeiras de Israel, União Européia e EUA. 

A Grécia não participa do projeto das pesquisas submarinas, mas, a partir do momento em que a segurança da República de Chipre é ameaçada aberta e ostensivamente com ações militares por parte da Turquia, é compreensível que a Grécia se fará presente, tanto por motivos de essência, quanto e porque o impõem as próprias convenções de fundação da República de Chipre, para a qual a Grécia é uma das forças signatárias que junto com os demais países da União Européia garantirá sua integridade contra qualquer ameaça externa, como é a atualmente desfechada. 

Conformam-se em consequência - por iniciativa e responsabilidade da Turquia - as premissas para uma eventual eclosão de extremamente grave crise, tanto com a República de Chipre, quanto com a Grécia, assim como, com Israel. 

E este é ponto mais essencial: os três países que tornaram-se, simultaneamente, destinatários das ameaças da Turquia deverão, com toda razão, enfrentar em conjunto estas ameaças em seu total. Esta é a chave da preparação até o dia 1º do mês que vem. E isto significa que os três países deverão estar de comum acordo preparados diplomática e militarmente, envidando, simultaneamente, todos os esforços para obter uma postura positiva por parte dos EUA. 

Todos por um 
As ameaças da Turquia contra a República de Chipre, que são simultaneamente ameaças, também, contra os interesses israelenses, e como tais estão sendo interpretadas, deverão ser enfrentadas de forma extremamente séria. 

Com igual seriedade deverá ser interpretada, também, a eventualidade de a Turquia não promover suas consecuções exatamente por causa do caráter decisório considerado, também, pelos três países. 

Neste caso, contudo, aumenta com progressão geométrica a possibilidade de a Turquia se mover agressivamente com represálias contra ilhas gregas no Mar Egeu. 

Em consequência, a Grécia deve garantir que os três países aliados - como o governo de Ancara, querendo ou sem querer, os constituiu, e talvez este tenha sido seu grande erro -enfrentarão, os três em conjunto, as ameaças.


Um comentário:

  1. Agora o negócio esquenta mais ainda no Oriente, conflitos e divergencias por partes de paises aliados a Otan...até a onde essa situação chegará?

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